Artigo – Economia brasileira: GPS para a terceira década do século

11 de Janeiro de 2018|Artigo|0 comments

Ao nos aproximarmos do final da segunda década deste Século, embora algumas melhoras tenham ocorrido neste biênio, a sensatez nos convida a refletir sobre a realidade econômica do País e olhar para o GPS que nos conduzirá ao futuro desejável. Para tanto, precisamos definir para onde queremos ir.

Os múltiplos e teimosos erros praticados na condução econômica nos deixaram numa situação, embora não catastrófica, de incerteza e desconforto, apesar da riqueza do País.

Muitos foram os erros cometidos, destacando-se a inadequação estratégica e a corrupção.

A intensa e diversificada corrupção praticada ao longo da história, felizmente algumas afloradas nesta década, mas poucas punidas e poucos valores recuperados diante da complexidade jurídica e das interferências do poder político.

O momento é oportuno para a redefinição do rumo, não só considerando fatos reativos mas, também, proativos. Vale dizer: reprogramar o GPS.

O tema é complexo e exige profundas reflexões para a adoção de estratégias corretivas e rejuvenescedoras, embora possa demorar um pouco.

Alguns pontos são fundamentais:

  • Dívida Pública
  • Gastos Públicos
  • Corrupção
  • Burocracia
  • Complexidade Jurídica
  • Dimensão Governamental: Executivo, Legislativo e Judiciário

DÍVIDA PÚBLICA – É inaceitável que o País tenha uma dívida de 74,4% do PIB, incompatível com as realizações e os serviços prestados, além da exploração e alienação dos recursos naturais que têm sido praticadas ao longo dos tempos.

Reduzir a dívida pública e, consequentemente, os gastos, deve ser uma das medidas prioritárias deste e dos próximos anos.

GASTOS PÚBLICOS – Não se pode eliminar/excluir os gastos públicos, mas racionalizar e reduzir é possível. Basta querer e fazer. Para tanto, é preciso analisar ponto a ponto para excluir os desperdícios.

CORRUPÇÃO – A corrupção é um fenômeno histórico, em ocorrência desde a colonização, mas com muita intensidade nas últimas décadas.

Felizmente, nos últimos anos desta década, o pepino aflorou e a gigantesca corrupção ficou exposta. A corrupção é forte e tem saúde porque os inúmeros interesses de integrantes dos poderes, com frequência, têm presença e prioridades.

A presença positiva e elogiável do Juiz Sérgio Moro foi um fato de relevante importância para assustar os corruptos. O Judiciário tem importante espaço para destruir a mentalidade corruptiva, mas, para tanto, é preciso que se reconfigurem as ações.

BUROCRACIA – A burocracia, em nível razoável, é compreensível. Mas o excesso é complicado e oneroso, tornando-se, inclusive, espaço para a interferência dos corruptos e corruptores.  Seria conveniente que se comparasse com a burocracia de muitos outros países em que a praticidade beneficia a sociedade e reduz os custos.

COMPLEXIDADE JURIDICA – A complexidade jurídica não só toma o tempo oneroso dos responsáveis pela condução como onera os gastos públicos e torna inoperantes os processos. Veja o exemplo recente da condenação o ex-Governador de São Paulo que, desde 1995, só agora foi praticado.

Para simplificar o processo duas coisas são fundamentais: Uma é simplificar o processo sem afetar o conteúdo. Ainda que tenha milhares de páginas, o processo deve sintetizar em uma ou em poucas páginas os pontos essenciais, indicando onde os detalhamentos se encontram no enorme processo. Isto, além de dar praticidade, reduziria os custos. Outra coisa é a exclusão dos interesses particulares interferentes.

DIMENSÃO GOVERNAMENTAL: Executivo, Legislativo e Judiciário – O gasto público com o tamanho do governo nos três poderes é significativo e oneroso, alguns com mais outros com menos participação.

 Não se justifica uma Câmara com mais de 500 deputados, cada um com equipes e gastos adicionais elevados. Há espaço para reduzir de 40% a 50% sem prejudicar a eficácia.

OUTROS – Além destes, muitos outros pontos da realidade brasileira precisam ser repensados e redirecionados. Embora não seja tarefa fácil, é possível e necessária.

A criação de um GGI (Grupo Gestor Independente) poderia ser conveniente para não só identificar como priorizar os diversos pontos a atacar, e sugerir a definição e conversão dessas ideias em ações efetivas.

É preciso acreditar, organizar e converter. O futuro do País agradecerá.

Humberto Dalsasso – Economista, Consultor Empresarial de Alta Gestão.