Artigo – Desigualdade de renda no Brasil: Um assunto que merece ser mais bem estudado

6 de dezembro de 2017|Artigo|0 comments

Segundo Folha de São Paulo de 6.12.2017, “Em uma escala de zero a cem, em que nos extremos estão os mais pobres e os mais ricos do País, em que posição você se colocaria? Nove em cada dez brasileiros (88%) acham que se situam até o ponto 50, ou seja, na metade com renda mais baixa”. A pesquisa foi feita com amostra de 2025 pessoas “para medir a percepção sobre a desigualdade do décimo país mais desigual do mundo”.

Acredito que a amostra é significativa e a opinião dessas pessoas está refletindo de fato o que se passa com a renda da maioria da população brasileira. Cada vez mais a classe média está se tornando pobre e os pobres cada vez mais candidatos a clientes de programas sociais, extremamente dependentes dos governos. Por que a pesquisa sobre renda no Brasil aponta para conclusões contrárias? Porque está se partindo de premissas equivocadas. A renda disponível no Brasil é a renda disponível verificada na maioria dos países desenvolvidos, ou seja, renda menos impostos.

Para se estudar com isonomia ideológica e política, a renda disponível brasileira terá de ser calculada levando-se consideração não apenas a renda menos impostos, mas a renda menos impostos e menos as contribuições continuadas ao longo da vida útil do agente econômico, ou seja, incluindo plano de saúde e o plano previdenciário. Quanto aos planos de saúde, são 47 milhões de brasileiros, contingente maior de contribuintes que o do imposto de renda, em torno de 28 milhões.

Não se tem os números dos contribuintes de plano previdenciário, isto é, aqueles que além de contribuírem para a previdência pública mantêm um plano previdenciário particular junto ao sistema financeiro. De modo que precisamos de informações de qualidade para se inferir sobre desigualdade de renda no Brasil.

Sobre o que é classe média: quais intervalos de renda podem ser considerados como sendo da classe média? O certo é que se o motor da economia no campo da produção é o investimento, do lado da demanda é a classe média. Sem classe média a economia perde o sal que a tempera.

A sociedade precisa de hierarquia. Sem hierarquia o quartel não funciona. Sem premiar os melhores agentes econômicos em termos de produtividade e trabalho, a produção, seja no serviço público, seja no setor privado, não rende. Que os mais hábeis façam parte da classe média sem qualquer sentimento de culpa.

Carlos Magno, Economista e Escritor.